Opiniões Histórias Sobre Engajamento Entre agora
Faça parte do U-Report, aqui sua voz tem poder.
STORY
Mais de 80% dos adolescentes e jovens utilizam as redes sociais para conscientizar sobre a pandemia

Os anos iniciais da última década foram marcados por uma série de movimentos liderados pela juventude, os quais tiveram como forte característica o uso das mídias digitais para a mobilização - da Primavera Árabe, no Oriente Médio, às ocupações de escolas no Brasil. Diante do isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19, as redes sociais tornam-se ainda mais importantes enquanto espaços para a discussão de questões políticas e para a mobilização social. 


Para conhecer as percepções sobre o assunto, principalmente entre adolescentes e jovens, estudantes da disciplina Promoção da Saúde, oferecida pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), realizaram uma consulta por meio da plataforma U-Report Brasil, uma iniciativa do UNICEF implementada pela organização Viração Educomunicação no país.


Embora não seja uma pesquisa com rigor metodológico, a enquete traz a visão de 1.380 pessoas, a maioria entre 13 e 24 anos, que responderam voluntariamente.

O uso das redes sociais para a mobilização social diante do atual contexto passa pela elaboração de conteúdos educativos para alcançar a população em escala, articulações para twittaços, entre outras ações que não demandam sair às ruas - como aconteceu nos Estados Unidos, onde a partir de uma articulação no TikTok, fãs de K-pop conseguiram esvaziar um evento promovido por Donald Trump, à época candidato à presidência. 

No entanto, a mobilização não se restringe ao ambiente digital. Ocorre também para articulações fora das redes, como as inúmeras iniciativas para arrecadação e distribuição de alimentos, além da organização de manifestações políticas presenciais, como os atos antirracistas articulados pelo movimento Black Lives Matter que se espalharam pelo mundo em 2020.

Não há como negar que as mídias digitais ocupam um importante espaço na articulação política dos sujeitos, mas como os nativos digitais percebem essa questão? A consulta realizada nos mostra indicativos.


A MOBILIZAÇÃO SOCIAL NAS MÍDIAS DIGITAIS

A mais recente pesquisa TIC Domicílios (2019) revela que 71% dos lares brasileiros possuem acesso à internet. O telefone celular aparece como o principal dispositivo de conexão entre os usuários, sendo 58% do uso da rede realizado através do aparelho. As atividades de comunicação são as mais comuns entre os usuários, estando no topo da lista o envio de mensagens instantâneas (92%) e o uso de redes sociais (76%).

Considerando a comunicação como processo pelo qual se desenvolve mobilização social, nos encontramos diante de um cenário que potencializa a ação de movimentos e sujeitos. Essa potencialidade é reconhecida no Art. 7º da Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014, também conhecida como Marco Civil da Internet, quando aponta que “o acesso à internet é essencial ao exercício da cidadania”.

Mais que aprender sobre seus direitos, na enquete realizada pelos estudantes, 76% dos participantes afirmam que utilizam as redes sociais para se posicionar em relação a assuntos sociais e políticos, dado que afirma o quanto essas mídias favorecem práticas de participação cidadã.


O DIÁLOGO NAS REDES SOCIAIS

Um dos grandes desafios para a mobilização social nas redes sociais são as bolhas digitais. As opiniões com as quais concordamos se refletem e se replicam em nossas linhas do tempo, o que acontece em razão dos algoritmos programados para estimular o usuário a permanecer cada vez mais nesses ambientes. Essas bolhas se fortalecem e se distanciam, tornando o diálogo menos possível e, por consequência, aumentando a polarização política.

Para entender a percepção das pessoas sobre as bolhas, as questionamos sobre o que fazem quando se deparam com posicionamentos que consideram completamente inadequados em publicações na internet. Nesse sentido, 41% dos participantes afirmam que tentam dialogar com a pessoa com quem há o embate de ideias, enquanto 26% excluem ou bloqueiam e os demais 33% preferem não tomar nenhuma atitude. Para o contexto da mobilização social, o diálogo e a comunicação são pontos-chave na busca da soma de esforços para a transformação da realidade.

O diálogo acerca da importância das medidas restritivas na pandemia, por exemplo, é significativo para que haja maior conscientização e, consequentemente, maior eficácia nos esforços para frear a transmissão do vírus. Diante do atual contexto, 83% dos participantes da enquete afirmam utilizar suas redes sociais para conscientizar amigos, familiares e outras pessoas sobre a pandemia

Muitos cientistas, profissionais da saúde e pessoas comprometidas com a ciência das mais diferentes áreas utilizaram as redes sociais para promover diálogos sobre saúde. Não há dúvidas de que são um notável instrumento para o enfrentamento da pandemia, uma vez que essas iniciativas constituem núcleos de disseminação de informações seguras, indo contra a desinformação e o poder das fake news no ambiente digital.


DAS MÍDIAS DIGITAIS ÀS OUTRAS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO

Na enquete realizada, 45% das pessoas afirmam que utilizam outros meios, além das redes sociais, para atuar pela transformação de alguma realidade, enquanto 37% afirmam não utilizar e 18% não sabem dizer. Esse resultado provocativo em termos de perspectiva da mobilização para a participação social recomenda uma próxima investigação sobre quais outros meios de mobilização têm sido utilizados por esse grupo populacional, apresentando, assim, a recomendação de pesquisas na área.

É evidente a importância da internet na disseminação de informações que engajam as mobilizações sociais, seja através de protestos online com o uso de hashtags, seja organizando e convocando a população para protestos presenciais, além de manter o público atualizado em tempo real sobre mobilizações que ocorrem pelo Brasil e pelo mundo. A internet pode ser uma excelente aliada no processo de mobilização social, no entanto, é necessário considerar que os meios de comunicação não fazem milagres.

A questão sobre a qual devemos nos preocupar não é se a internet promove mobilização social para transformações reais, mas se os sujeitos conseguem utilizar a internet como meio para promover mobilização social, modo pelo qual se torna possível desenvolver transformações reais. E, para que isso ocorra, é necessário utilizá-la da melhor forma possível: disseminando informações seguras e gerando engajamento às mais diversas causas relevantes.

Confira os dados completos da enquete sobre mobilização nas mídias digitais em: brasil.ureport.in/opinion/2408. 

Veja pelos números como nós estamos engajando as vozes da juventude para mudanças sociais positivas.
Explore o engajamento